Para onde vão os
sonhos
Depois que
acordamos?
Permanecem no
inconsciente
Prontos para
reaparecer outra noite
Como desejos bem
guardados
Divididos com o
doutor
Igor Zanoni
Inquietações e Poemas
Para onde vão os
sonhos
Depois que
acordamos?
Permanecem no
inconsciente
Prontos para
reaparecer outra noite
Como desejos bem
guardados
Divididos com o
doutor
Igor Zanoni
As relações são
conflitos
Quando se vive
logo tempo
Com alguém
Restam fragmentos
de uma vida
Que mal se sabe se
foi boa
Quando nos
separamos
Restam sombras
remorsos
A percepção de que
não fomos
Pares muito bons
Que nosso amor
pisou em falso
E agora é difícil
retomar
Um contato feliz
Meu Deus quanta
culpa
Precisamos começar
por nos livrar
Da nossa culpa e
da culpa do outro
Igor Zanoni
Mentimos muito
Mal percebemos
quando e quanto
Buscamos assim
caber na mente
E na vida do outro
Este que sempre
nos julga
Desejamos que nossas
estórias
Deem certo no fim
Desejamos sucesso
e aplauso
No palco que todos
os dias
Criamos para nós
Nós personas temerosas
E mentirosas
Igor Zanoni
A morte mais
dolorosa
Se dá no interior
De um casal
longevo
Com suas memórias
de amor
Separações
retornos
Paixões
E mil miudezas
Visitas a médicos
Amigos que se vão
O tempo não parece
infinito?
E no entanto cessa
Deixando um
irremediavelmente longe
Outro
irremediavelmente só
Lembrando que
também ele
Logo irá morrer
Igor Zanoni
O seu João fala
Sobre aquilo que
vive
Mas às vezes se
sobressalta
Com seus sonhos
Para os quais ele
não tem
Palavras
Igor Zanoni
O ser se diz de
muitos modos
Mas mesmo no sonho
Em que aparece
cristalino
É difícil e cheio
de ardis
Todo sonho precisa
De um bom
intérprete
O que será de nós
Sós e tateantes
Em nosso pobre
entendimento?
Igor Zanoni
Quando nasci
O sol havia
nascido há muito
Há bilhões de anos
Ninguém poderia
nascer sem o sol
Em nenhum momento
do mundo
Mas quando o sol
se for
E levar da terra a
sua luz
Eu terei morrido
há muito
Há bilhões de anos
Todavia, jamais
haverá no mundo
Uma morte para
todos decisiva
Sem que o sol
morra antes
Nosso velho sol é
sempre
Nova vida
Enquanto viver
Igor Zanoni