Curitiba tem duas
estações
A das chuvas e a
do frio
Que vêm sempre
juntas
Quando entre o
Natal e o Ano Novo
O sol aparece
Os nativos descem
para Matinhos
Gastando o
décimo-terceiro
Igor Zanoni
Inquietações e Poemas
Curitiba tem duas
estações
A das chuvas e a
do frio
Que vêm sempre
juntas
Quando entre o
Natal e o Ano Novo
O sol aparece
Os nativos descem
para Matinhos
Gastando o
décimo-terceiro
Igor Zanoni
Nunca te vi
Mas guardei
intacta
Minha saudade
antecipada
Quando vier saberá
Que aqui está o
seu lugar
Sua paz seu
conforto
O amor que
esperava
Venha não importa
Com que demora
Eu sei esperar
Sou um homem
paciente
Porque o amor
É paz e paciência
Igor Zanoni
Andamos lado a
lado com um amigo
Por muitos anos
A amizade permite
camaradagem
E um anel de calma
solidariedade
O amor é mais
rigoroso
Exigente conosco
É claro que aqui
os laços são outros
Raras vezes o amor
admite
Uma boa amizade
Igor Zanoni
O Reino de Deus
não está aqui ou ali
Ele está entre nós
Nas relações que
tecemos
Melhor: naquelas
que forjaremos
Não apenas ao
construir
Uma sociedade boa
Mas também uma em
que a oração
Não será um mero
implorar
Mas sobretudo
agradecer
O coração a um
tempo
Alegre e reverente
Igor Zanoni
Sabemos logo que
uma casa é habitada
Ao entrar na sala
e perceber
Um paletó jogado
sobre o sofá
Ou copos sujos na
mesinha de centro
Com certeza
resquícios da noite passada
Ou se na cozinha
os pratos estão ainda na pia
Se no quarto a
cama não está feita
Uma casa assim
fala da vida dos seus moradores
Ela é apropriada
nesse uso denunciado
Pode-se dizer que
ela mesma vive
E já não é uma
casa mas um lar ou uma morada
Igor Zanoni
Minha esposinha
acorda cedo
Vai à primeira
missa do dia
Depois cuida da
sua mãe
Que é muito idosa
Vai ver como está
seu filho
Se precisa de
alguma ajuda
Seu coração é
cálido
E está sempre
bem-disposta
Também cuida do
que ganhamos
E vai comigo à
feira
Minha esposinha é
discreta
Não conversa sobre
o que ignora
Sua virtude é a
bondade
Calma quieta
sempre presente
Igor Zanoni
A vida é imensa
Ilimitada
Quando um poeta a
canta
Mas há os que
reduzem a vida
A algo mesquinho
Estes não sabem do
que se trata
Anos se passam na
modéstia
Dos dias
Assim vivem
Que pena
Mas talvez haja
algo infinito
No menor dos seres
Apenas ele não
sabe
A isso se chama
melancolia
Igor Zanoni