O que você está
fazendo?
Estou vendo as
pessoas
Mas qual a graça
disso?
Ora, não há nada
melhor que ver
as pessoas
Igor Zanoni
Inquietações e Poemas
O que você está
fazendo?
Estou vendo as
pessoas
Mas qual a graça
disso?
Ora, não há nada
melhor que ver
as pessoas
Igor Zanoni
Compreender a si
mesmo é um dever
Até para saber o
que fazer
Poucos se
interessam por isso
Vivem
despreocupados
Às vezes inquietos
e melancólicos
Mas sem perceber o
que lhes acontece
Viver é difícil e
perigoso
Fica mais
interessante com a ajuda
Do pensamento bem
conduzido
Muitos acordam
cedo e lá se vão
Atrás do que
aparece
Mas há os que
planejam seu dia
E seu caminho
E mesmo que
aconteçam dificuldades
Elas não ferem
como aos incautos
Igor Zanoni
Que tear tece o
sonho?
Ele me parece
tantas vezes estrangeiro
Falando a língua
que não é a minha
É claro que não é
bem isso
Eu sou multidão
Todos nessa
multidão conversam
Através de mim
Fabricam uma
colcha com a qual me cubro
E quando faz calor
à noite
Me descobre
Eu me descubro
Tudo em mim
resvala para outros
Como sou incapaz
de evitar
Esses sustos e
esses gozos!
Mas em algum lugar
estou
Com um ponto de
intersecção
Igor Zanoni
A folharada flutua
na rua
O inverno em seu
primeiro dia
Com a chuva e logo
o frio
Ai sul do meu país
Gripes e
pneumonias
Ainda bem que há o
SUS
Com suas vacinas
contra a influenza
E agora inflamações
do pulmão
Como se morre
dessas coisas
No sul da América
Latina!
Igor Zanoni
Por vezes se diz
mais do que conviria
O inescapável
escapa
Algo em nós
pronuncia sua verdade
Um ato falho
Melhor o ato que
faltava
O que nem sabíamos
Suave me aproximo
e beijo seu cabelo
Ou digo embaraçado
Estou com saudade
de você
Talvez algo
igualmente inconveniente
Igor Zanoni
Mentimos uma vez
Uma mentirinha
Mas para cuidar
dos seus danos
Mentimos de novo
E assim o dito de
que a mentira
Tem pernas curtas
Se torna a verdade
de que ela
Tem pernas muito
compridas
Que se enroscam
uma na outra
Mas sempre há um
motivo
Para que isso
aconteça
Igor Zanoni