Relações cotidianas
cansam
O afeto se
empobrece
Desejamos a
companhia de outros
Mas essa opção
causa ciúmes
Entramos em uma
gaiola de ferro
Aos poucos
sentimos medo
Vivemos menos
Doutor como chamar
essa síndrome?
Igor Zanoni
Inquietações e Poemas
Relações cotidianas
cansam
O afeto se
empobrece
Desejamos a
companhia de outros
Mas essa opção
causa ciúmes
Entramos em uma
gaiola de ferro
Aos poucos
sentimos medo
Vivemos menos
Doutor como chamar
essa síndrome?
Igor Zanoni
Trago em mim minha
eternidade
Em meu corpo
Minha psique
Os sonhos atestam
isso
Na sua matéria e
na sua inscrição
Em meu presente
infinito
Não é preciso
fazer metafísica
Os sonhos são
reais
Banais
O empírico
inesquecível
Da nossa vidinha
que aqui levamos
Igor Zanoni
Vou ligar meu modo
sobrevivência
Tentar aguentar o
tranco
E erguer de novo
minhas barricadas
O país aguentará
mais um governo
Creio que eu
suportarei também
Eles são perigosos
E crescem à sombra
do dinheiro
Mas eu tenho
antecessores em minha luta
Que me ensinam a
resistir
Como resistirão as
baratas
Numa eventual
guerra atômica
Igor Zanoni
Gosto do seu
abraço
Não só porque
gosto de você
Mas porque abracei
você antes
E fui
correspondido
A correspondência
é o melhor
Laço humano
Igor Zanoni
Passei a perceber
sua angústia jovem
Quando contou que
lera “Ser e tempo”
Não é muito
difícil? Eu disse
Não, nunca havia
visto tanto empenho
Em encontrar o
absoluto como neste autor
Para Bruno Raggio
Igor Zanoni
Não posso me
desfazer de meu sonho
Como se doasse à
igreja uma roupa inservível
Ele voltará amanhã
voltará sempre
Pois é parte de
mim me constitui
Aqui tenho um
homem dividido
Esaú e Jacó na
mesma psique
Esta é minha
condição
Sofrimento noturno
esclarecendo
Com a lucidez dos
sonhos
O sofrimento
diurno
Igor Zanoni
João tem uma vida
puxada
Para aguentar o
tranco
Toma muito café
Tanto que mudou
seu nome
De João para Café
João
Torrado e moído
Embalado a vácuo
Igor Zanoni