Que tear tece o
sonho?
Ele me parece
tantas vezes estrangeiro
Falando a língua
que não é a minha
É claro que não é
bem isso
Eu sou multidão
Todos nessa
multidão conversam
Através de mim
Fabricam uma
colcha com a qual me cubro
E quando faz calor
à noite
Me descobre
Eu me descubro
Tudo em mim
resvala para outros
Como sou incapaz
de evitar
Esses sustos e
esses gozos!
Mas em algum lugar
estou
Com um ponto de
intersecção
Igor Zanoni