quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Cofre


quem se importa com essas pequenas memórias
narrativas que costuram a sensibilidade
que logo saltam no íntimo quando sós
sem valor mercantil sem valor no mercado
de imagens e de verdades comuns
dos blogs twiteres e jornais
sem apelo sem sexo reconhecido
sem apelo emocional ou dramático
apenas imagens como a de uma estrada
 na qual pisamos toda a viagem
mas não são o carro nem a habilitação
ou a polícia e o IPVA em dia
não valem nada para ninguém
mas será a nossa última lembrança
quando os amores tiverem passado
as grandes questões forem afinal
deixadas de lado
como o desejo ou a necessidade de controle
aí estaremos neste jardim
de morangos silvestres
perene cofre das intimidades não divididas
garrafa vazias sem valor sem retorno
tão queridas a nós

                                                        Igor Zanoni

                                                           

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Maturidade


não são as crianças ou os velhos
que demandam mais nossa paciência
eles têm reservas de carinho
e seu jeito peculiar de ver as coisas
engraçado ou penoso
mas pleno de sensibilidade e medo
é preciso ser calmo com eles
estar á sua altura
mas os mais jovens e maduros
que pensam mover o mundo
e fazer a sua vida
são mais enérgicos e inconsequentes
nos põem fora de nós
quando aparentam saber o que fazem
distam a uma distância segura
de nossos reparos
estes só demandam nossa paciência
mas pouco a alimentam
a sua arrogância é quase insuportável
neste mundo que pede tanto
pessoas humildes
que saibam dar marcha-a-ré
paradas estratégicas para pensar duas vezes
serena moderação despojamento
quantas dificuldades enfrenta a maturidade
como é indigna desse nome!


                                                               Igor Zanoni

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Arco-íris


quase nunca as coisas são
preto no branco
há antes infindas modalidades
do cinza
mesmo quando se olha um arco-íris
e se contempla cores
nunca se sabe bem
quantas cores há no céu
sete? setenta?
setenta vezes sete?

                                                 Igor Zanoni 

Maranatha


nesta altura da vida
ainda busco entender o passado
perdoá-lo e aceitá-lo
e ter os olhos mais calmos
ver-me com mais simpatia
como Deus julgará os homens
naquele dia solene?
difícil pensar que a compreensão
de qualquer lei
sirva para pensar os homens
pois eles são nebulosos
insondáveis
precisam de amor mas não só de amor
de um entendimento difícil
mas enfim é preciso crer
que a compreensão é possível
que nossos olhos podem ver
pela primeira vez
ainda que seja só naquele dia

                                                                             Igor Zanoni

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Prático

 
perguntei a meu amigo Renato Cury a razão do sucesso da Wilza Carla e ele explicou que muitas pessoas se erotizam com a obesidade, assim como há homens que só gostam de fazer sexo com idosas.  Renato sabia também fabricar pólvora e era bom caçador. ao contrário de mim, ignorante e religioso, ele era um homem prático e sabido. lia enciclopédias e sexólogos e me ensinou o que sei sobre jazz.

                                                         Igor Zanoni

Conselho


existe a melancolia
e a melancolia da melancolia
eu era triste
agora não sou mais
eu não tenho psicoses
só o que todos têm
algumas neuroses fobias
 e leve depressão
nada de mais sério
como obesidade e males do fígado
só coisas que se curam falando
como disse uma amiga
há muito fiz um investimento em mim
e comecei uma psicoterapia
faça você também!

                                                    Igor Zanoni

domingo, 8 de janeiro de 2012

Desejo


1
as pessoas que não creem na morte
quase sempre ignoram a vida
não há esperança na vida
ou fé na vida
há sempre o desejo de vida
ou melhor há sempre o desejo
sob tudo que existe

2
os economistas inventaram o homem racional
mas se ele existisse os homens
não amariam tanto o dinheiro
não consumiriam tanto
não desperdiçariam sua vida
não confiariam no que sabem ser falso
não amariam ilusões
não seriam tão obsessivos
nem admirariam as grandes palavras

                                                     Igor Zanoni