sexta-feira, 23 de junho de 2017

Um jovem como Jesus


o doce Jesus se disse o caminho
a verdade e a vida
muitos gostariam de crer
mas é pena não podem
são infelizes
acendem outro cigarro
abrem um vinho
vão a outra sessão no analista
gostariam de crer
na vida nova já
gostariam de provar
o pão de amanhã
eles não tem culpa alguma
não são sequer pecadores
apenas não podem crer
no que parece mesmo estranho
um jovem como Jesus
e Ele dizia ser o Filho de Deus
um jovem que caiu do céu


                                                                Igor Zanoni

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Sonhos


pode-se ter pesadelos
 não entendemos porque nos vêm
sua miraculosa arquitetura
ou sonhos felizes de gozo
ponte entre o físico e o mais adiante
pode-se sonhar com pessoas
dos tempos de antanho
situações que nos maravilham
por sua impertinência abusada
pode-se ter sonhos que compreendemos
e que não compreendemos
nossos sonhos sempre nossos
impossível separarmo-nos deles
a ninguém mais chamam à noite
independente de que gostemos
 desta estranha noite
que sem pedirmos nos sobrevém


                                                                  Igor Zanoni

Meus olhos nos seus



o próximo pode se tornar distante
quem está aqui bem pode flutuar
presente e ausente ao mesmo tempo
amar alguém de todo coração
amar todo o tempo
com a vida toda e toda a vida
isto não me coube que vergonha!
eu me culpo de tantos lapsos
mas em meio a eles recolho momentos
de calorosa proximidade
quando vi meus olhos nos seus


                                                                 Igor Zanoni

domingo, 18 de junho de 2017

Livros

não leio o livro
venho da rua
e coloco-o na estante
sento-me no sofá ao lado
olho para ele feliz
um dia posso ler
mas já conversamos
eu sou para ele
como ele é para mim
livros são importantes
mas como vou ler tudo isso?


                                                                Igor Zanoni

sábado, 17 de junho de 2017

Capela


ele veio com sua maleta
colocou sobre a roupa discreta
uma batina tirada dali
e um livrinho preto no qual começou a ler
passagens das Escrituras
hinos que todos sabiam também de cor
seu rosto era inquisitivo os gestos firmes
apesar de sua idade
seguiu rigorosamente um script
todos na capela ficaram quietos atentos
terminou seu ofício
benzeu o morto e os vivos presentes
depois retirou sua batina
 guardou-a com o livro na maleta
era um homem pequeno
nada impressionante
mas o clima era triste
e ele era um homem calmo discreto
seu livrinho preto funcionou bem
e no final todos estavam mais consolados
há momentos em que tudo parece correto
e adequado
mesmo quando é estranho e descabido


                                                              Igor Zanoni