segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Lixo

giro o jornal na mão
poucas ideias & poucas luzes
afasto a xícara de café
para que nela não pingue nada desse lixo
ouça o grande homem
cheio de valores tradicionais cristãos
mas o Evangelho não é tradicional
Cristo não trocou o Evangelho por dinheiro
em tudo há uma pérfida alquimia
que tudo transmuta em lixo
tudo lixo
tudo lixo



                                                                               Igor Zanoni

sábado, 5 de novembro de 2016

A Revolução


a revolução há de ser uma primavera de luz
sonhamos com sua palheta de tintas fortes
com suas pinturas de nossa nova amorosa vida
nosso amor florescerá com seu perfume doce
nós seremos tão sérios e felizes em nossa nova vida
e bendiremos a humanidade em cada ser vivo
a terra há de ressurgir como uma nova terra
e calmos andaremos junto à natureza
os dedos tocando o chão com mil carícias
os homens e as mulheres todas serão tão propícios
e bem-vindos os acolheremos em nossos braços
uma primavera de luz há de irradiar em nosso rosto
e calmos olharemos nos olhos uns dos outros
como amigos irmãos pais e mães e um novo ser humano
mas a revolução não virá e sonharemos com ela
como o distante paraíso
viveremos no paraíso 
como um outono que não frutifica
nossas vestes brancas brilharão sobre a cinza de nossos dias
seremos tão felizes
mas lamentamos que a revolução não venha


                                                                     Igor Zanoni

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A Grande Mãe Rússia


em menino assisti Guerra e Paz com minha mãe
Audrey Hepburn e Mel Ferrer usavam casacos de pele
andando de troica na grande planície nevada
muito depois Maiacovski fez um poema sobre zibelinas
lembro quando o Santos jogou com o Dínamo de Moscou
Moscou é distante mas não como Omsk e Vladivostok
lembro da camiseta da seleção soviética: CCCP
( Cuidado Camarada Crioulo Pelé)
a literatura me aproximou da Grande Mãe Rússia
me dói a nossa Rússia brasileira


                                                                       Igor Zanoni

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Convicção


convicções se perdem
amores profundos dos quais esperávamos
a própria salvação
o rapaz que eu era acorda sem fé
ainda que saudoso do que era e sentia
todavia é possível rever a vida
é possível fazer filosofia
e retomar em nova chave o antigo moço
valha-me Deus a metafísica
é sempre possível trocar crenças miúdas
por fundados pensamentos
assim fizeram Agostinho e Lutero
esse meu vez protestante acaba
vindo sempre a calhar


                                                             Igor Zanoni

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Verde


 sempre me espanta o verde desses meses
todo talo de erva reivindica
sua pertença aos grandes ciclos naturais
regurgitando de clorofila na particular
inclinação da terra  
o tempo que nos apanha em si
e nos faz a todos tempo
desde o mais remoto céu
mostra-se na abusiva flora
verde que te quero verde
dizia-nos Garcia Lorca


                                                                     Igor Zanoni