segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Sem rosto


Uma pessoa sem rosto
Uma não pessoa
Sem caminho
Entre ratos e percevejos
Com amigos também sem rosto
Não pessoas
Riem como podem
Os olhos às vezes enormes
Onde está sua alma?
Elas pensam no dia seguinte
Ou neste que vivem?
Sem caminho
 Sem futuro
Sem nenhum cuidado
Seja nosso
Seja delas mesmas
Seja o cuidado público
Como seguir daqui?
Essa pergunta tão humana
Aplicada aos que tanto
Se desumanizaram

                                               Igor Zanoni

domingo, 29 de dezembro de 2019

Um homem comum


Não sei buscar a sabedoria
Que me faria viver
Com a mente atenta e sóbria
O sorriso exato nos lábios
Passando pelas dificuldades
Como a quilha de um barco
Passa pelas águas do rio
Sem ansiedade
Respostas prontas a qualquer hora
Eu nem me proponho tudo isso
Sou apenas um homem simples
Um homem comum

                                                                              Igor Zanoni

sábado, 28 de dezembro de 2019

Tempo de chuva


Nesses dias todos de chuva
Não faz muito calor
Mesmo sendo dezembro
O céu é escuro
E as pessoas só saem
Quando muito preciso
Olhando pela janela
A cidade se recolhe
Diminui
Há um contraste com o tempo
Em que se luta
Para fazer coisas
Pelo gosto de fazer
De colocar para fora o excesso
As pessoas estão abarrotadas
De sensações e desejos
A chuva apaga um pouco esse fogo
E a calma nos envolve
O coração mesmo
 Bate mais devagar

                                                        Igor Zanoni