sexta-feira, 16 de maio de 2014

Garçons, Carteiros e Padeiros

 
1
na hora do almoço no Stuart, meio boêmio com comidas esquisitas como rãs empanada, testículos de  boi e carne de onça, um sujeito já bem encharcado pediu a um garçom outra cerveja. o garçom, muito atencioso , trouxe outro chope de meio litro. e riu de modo ordinário para mim - este cara vem todo sábado e toma tanta cerveja que não sei como consegue ir embora. passei a desconfiar dos garçons , eu que os achava gentis e discretos.

2
um carteiro, gente quase invisível e que quase consideramos não pessoas, foi abordado em um portão por um cachorro bravo defendendo a propriedade. levou um soco tão certeiro que sumiu ganindo. desde então percebi melhor a luta diária dos carteiros e como se defendiam sua faina do direito da tal propriedade.

3
bem cedo um sujeito de terno bebia cerveja não sei de número qual na padaria. quando eu comprava pão deve ter me achado uma pessoa legal e disse pagando sua despesa: - vamos trabalhar! se fico em casa é aquela choradeira, mas agora vamos deixar essa coisa prá lá. comentei com a dona da padaria que meio indiferente respondeu:- agora ele vai ver se consegue. eu como bom cristão havia visto naquilo uma lição de humildade para o mundo, mas lembrei a tempo da dificuldade dos padeiros em acordar de madrugada para sua trabalheira toda. e aprendi outra lição de moral.

                                            Igor Zanoni   

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