terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Respeito


Há pessoas desencantadas, que percebem seus limites pessoais  no interior de nossa existência sempre mais complexa e frustrante. Apesar disso, elas conseguem ser uma ótima companhia, amorosa e despretensiosa, e às vezes são donas de uma graça que talvez não percebam como nós mesmos. Sem grandes receitas, sem maiores pretensões, mas procurando fazer as pequenas coisas que fariam diferença em um mundo se ele pudesse se salvar de sua mesmice e estupidez. Adoro pessoas assim, como adoro os filmes de Woody Allen, insistindo sempre na sua tentativa de lidar com remédios que ele sabe inúteis pelo menos para ele mesmo: tentar crer em uma transcendência religiosa ou em uma espiritualidade que a psicanálise possa permitir, ou remediando-se de forma literal quando fica insuportável a vida. Mas também enfatizando sempre o nó crucial dos relacionamentos: o papel que jogam neles nossa necessidade de amor e de beleza, e o estrito respeito pelas pessoas que compartilham nossos dias.


                                                      Igor Zanoni

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