terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Viajantes


Neste mundo duro e hostil algumas pessoas e grupos conseguem traçar rotas marginais e estradas vicinais para o que lhes é caro e pessoal, e também promessas que nem eles sabem com muita precisão de que se tratam. Todos conhecemos os que meditam nos chakras, ou traçam um roteiro seguro pela medicina tradicional para eliminar o medo, a doença, a ansiedade, a morte. Também conhecemos os que brincam com o android juntando sua comunidade com o passaporte da leveza e amizade, com a música, o skate, a noite. Há viagens que também são duras e hostis, parecem ser as únicas disponíveis: fazer tarde da vida a faculdade, ter certa independência emocional e financeira, aos cinquenta anos, e podem percorrer as estradas daqui para ali advogando, por exemplo, ou vendendo algum produto específico, em seu carro financiado, sua roupa formal, seus óculos ray-ban de muitas esquinas. As viagens são infinitas. Mas há os que não viajam. Neste grupo seleto estão as meninas que servem refrigerante para quem chega para visitar o irmão mais novo, costuram roupas para suas Barbies, ajudam os irmãos com as lições e separam bom tempo para as amigas mais queridas. Elas tocam o nervo do mundo e estão disponíveis para o que de melhor pode vir, que a sua serena seriedade as salve e mantenha por toda vida seu sorriso reflexivo e prudente.
Para Jasmim 
 Igor Zanoni

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